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São Paulo – O jovem era apenas um estagiário naquela companhia, mas já estava lá havia tempo suficiente para se dar conta de que muitos dos processos e procedimentos eram executados não por serem necessários, mas por estarem enraizados na rotina da empresa.
 
 
Foi então que, armado de coragem, o jovem procurou o gerente para sugerir uma coisa tão simples quanto lógica: usar as caixas  dos fornecedores de produtos como embalagens para despachar suprimentos para os departamentos e filiais. Bastava colocar uma etiqueta.
 
 
A prática de obrigar os fornecedores a levar embora as embalagens vinha de uma época em que essa providência barateava os produtos, o que há muito tinha deixado de ser verdade, mas era mantido por hábito. Com o tamanho atual da empresa, e a dispersão de suas unidades, a nova medida provocaria uma economia razoável, além de diminuir o desperdício.
 
 
Mas quem disse que o gerente prestou atenção na ideia? Afinal, se assim era feito havia tanto tempo, devia ser por um bom motivo, não é mesmo? Além disso, a ideia vinha de um estagiário. Continua tudo como antes, e não se fala mais nisso, OK? OK.
 
 
Só que a cena toda foi assistida por um diretor, que se deu conta de que a proposta fazia sentido e resolveu patrocinar a ideia ele mesmo, o que acabou dando supercerto. O acontecido foi colocado na reunião mensal, com o gerente fazendo de conta que não era com ele.
 
 
Só que o diretor não deixou barato e aproveitou para lembrar a todos que um dos valores da empresa é a inovação, e que isso não tem só a ver com a criação de novos produtos, e sim com tudo, dos processos à comunicação. “A inovação, sendo um atributo de cultura, tem de estar na cabeça de todos”, disse o diretor.
 
 
Não dá para desprezar uma sugestão, por mais simples que pareça, só porque ela partiu de um estagiário. Nesse momento, tirou do baú da filosofia chinesa a frase adequada: “Quando um dedo aponta uma estrela, o sábio olha a estrela e o tolo olha o dedo”.
 
 
Ditados são para isso mesmo, para fazer pensar. Por que o gerente não prestou atenção, afinal de contas? Dando-lhe o benefício da dúvida, podemos imaginar que foi porque ele estava muito ocupado, concentrado em algo urgente. Mas, pelo desenrolar da história, dá para perceber que foi porque a ideia vinha de um estagiário, um dedo insignifcante apontando algo que nem valia a pena ver o que era.
 
 
Texto publicado sob licença da revista Você S/A, Editora Abril. Todos os direitos reservados. Visite o site da revista: www.vocesa.com.br

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O tolo evita ouvir ideias que vêm da base

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